quinta-feira, 15 de abril de 2010

Decepção não mata, ensina a atuar.

Ela esperava que tudo desse sempre certo, que o filme de sua vida sempre seguisse o roteiro, que ninguém errasse as falas, e que nenhum dos personagens a esquecesse, pois era triste, ser figurante na própria vida.
Naquele dia, não foi diferente, esperava tudo de novo: o roteiro, os personagens, as falas, enfim, o impossível. E aconteceu tudo igual: o roteiro, os personagens, as falas, enfim, tudo deu errado.
Ele disse: "Você é egoísta!"
Isso a deixou muito triste, e muito decepcionada.
A garota egoísta voltou para casa ignorando o mundo, os barulhos da rua, os pássaros, as pessoas, os aromas, as cores. Com passos decididos a garota egoísta ignorou o mundo, ignorou tudo, fez do mundo só ela, fez só ela seu próprio mundo, seu mundo só, só.
Chegou em casa, pegou o telefone, ligou para alguém:
- Tuuu Tuuu Tuuu - ninguém atende.
Ligou para a amiga:
- Tuuu Tu... Alô?
- Oi, liguei para dizer que estou triste... (A menina egoísta jogava pelo fio tudo o que a deixava triste)
A amiga não respondeu nada, pois naquele dia, a menina egoísta estava com o egoísmo tão presente em si, que disse que não queria resposta, só queria falar.
Desligou o telefone, sentou no sofá, pôs a mão no rosto, tentou chorar, mas não conseguia, as lágrimas também resolveram decepcioná-la, e não saíram. Ela insistiu, e uma imitação de lágrima saiu.
- Deus, por quê sou tão idiota? - olhava para o teto, como quem olha para o céu, a esperar uma resposta.
Silêncio.
- Já sei! Ai que ideia genial! Preciso fazer isso! - secou a lágrima e ficou atônita, era como descobrir o segredo da felicidade...
Ela resolveu que nunca mais mostraria tristeza, que provaria para ela mesma, que podia fingir felicidade, e que era uma boa atriz, mesmo que só ela soubesse da atuação. De agora em diante, seria ainda mais egoísta, guardaria para si mesma até os próprios sentimentos, confundindo todos a sua volta, que jamais saberiam o que ela sentia.
Saiu de casa sorridente, disse boa tarde a todos, cantarolou músicas até então esquecidas, e quando deu por si, não atuava mais.
E pensou: Decepção realmente não mata, ensina a atuar.

PS¹: A garota egoísta não era egoísta, foi só uma coisa idiota que disseram a ela.
PS²: Tinha planejado escrever mil coisas essa semana, mas acabo ficando com preguiça de entrar na net. Resolvi escrever essa narrativa porque estou com saudade de contar histórias. (Mas essa saudade vai acabar porque semana que vem, volto a fazer trabalho voluntário, nas rodas de leitura *-* Vou ver meus pequenos!)

quarta-feira, 7 de abril de 2010


- Joely?
- Sim, Tangerine?
- Eu sou feia? Quando criança eu me achava feia... Não acredito que estou chorando... Às vezes acho que as pessoas não entendem a solidão de ser criança, como se você não fosse importante. Eu tinha oito anos e tinha esses brinquedos, essas bonecas... A minha preferida eu chamava de Clementine, e eu gritava com ela: "Não pode ser feia, seja bonita!". Estranho como se, caso eu pudesse transformá-la, eu também mudaria, magicamente.
- Você é linda!
- Joely, nunca me deixe.
- Tangerine, você é linda...
- Mierzwiak, por favor, por favor, deixe-me guardar esta lembrança. Só esta...!


Eu adoro esse filme, e essa parte me toca muito... Lembro da minha infância, sabe?
Eu lembro que fantasiava que minha vida seria perfeita, que eu seria rica, moraria num lugar perfeito, seria linda, poderosa, bem-sucedida, teria dois filhos, seria casada, enfim, teria a minha vida supostamente perfeita.
Mas hoje eu sou mais realista, por que preciso de tudo isso para ter a vida perfeita? Tô cansada dessa generalização de felicidade. Então se todo mundo é feliz com isso, eu também tenho que ser?
Maaaas voltando para a infância (Vou deixar essa discussão de felicidade generalizada pela sociedade para o dia em que postar o texto de Trainspotting :P), quando eu era pequena, era tudo tão perfeito *-*
Lembro de coisas mágicas, coisas simples, porém mágicas. Lembro que todas as vezes que minha mãe saía, eu pedia para ela me trazer um presente, e ela sempre comprava um livro. Lembro também, das minhas aventuras com os meus dois primos, coisas bestas como brincar de base militar no quintal. Por incrível que pareça, uma coisa estranha que eu fazia nunca saiu da minha cabeça, eu me lembro de não gostar de bonecas, e nunca tirá-las das caixas, eu gostava de chamar de filhinhas, as coisas que ninguém nunca adotaria. Recordo-me de todas as vezes em que solucei de tanto chorar, porque as coisas não eram como eu queria, e da frase que eu não cansava de repetir quando ficava triste: "Vou dormir, e quando eu acordar vai ter sido um sonho ruim", e nessas situações, minha mãe falava: "Era uma vez..." E os soluços cessavam, e os meus olhinhos ficavam atentos, enxergando um mundo que não existia, criando com perfeição a visão daquelas maravilhosas histórias criadas por quem melhor me entendia.
Existe coisa mais meiga que a infância?
A imaginação, a inocência, o brilho nos olhos *-*
Não, não existe nada mais meigo.

PS: Quando pequena Mare Patinho se sentia feia, e ainda se sente.
PS²: A história de nunca adotar bonecas, e sim coisas estranhas, é realmente verdadeira. Mare Patinho aos 4 anos, adotou 14 pedaços de cenoura, nomeou todos eles (na verdade elas) e os chamou de filhinha.
PS³: Preciso manifestar o quanto estou feliz! Sei lá, tá tudo tão perfeito! Esse friozinho me encanta. E amanhã é dia de Starbucks com a Ferdisinia.

segunda-feira, 5 de abril de 2010



.apenas o fim.
Direção e roteiro: Matheus Souza
Produção: Júlia Ramil e Mariza Leão
Elenco: Érika Mader, Gregório Duvivier, Marcelo Adnet, Nathalia Dill, Anna Sophia Folch, Álamo Facô e Júlia Gorman
Fotografia: Julio Secchin
Direção de arte: Gabriel Cabral e Julia Garcia
Figurino: Tatiana Pomar
Montagem: Julio Secchin
Trilha Sonora: Pedro Carneiro


O filme é de 2009, e a Mare só posta sobre ele agora?
Pois é, infelizmente, e sabe um dos motivos? O filme não foi muito bem divulgado, o que é uma pena.
Precisava postar sobre esse filme, que é uma gracinha! O roteiro é ótimo, é um tema que cativa qualquer pessoa, é totalmente jovem, e apesar de receber críticas sobre ser muito parecido com "Antes do Amanhecer", eu classificaria o filme como algo inovador. Digo algo inovador, porque no Brasil, não se faz filmes como esse (Confesso não gostar da maioria dos filmes brasileiros). Sem contar, que o ".apenas o fim." não é tão monótono quanto o "Antes do Amanhecer".
O filme retrata a despedida de um casal, é basicamente um diálogo, e entre uma cena e outra aparecem algumas cenas do passado. (Sim, é de cortar o coração!)
O enquadramento da maioria das cenas foram incrivelmente criativos, não podia deixar de comentar.
A trilha sonora deixa a desejar, pois o filme não tem muitas músicas. Mas eu diria que o Pedro Carneiro, compensou todas as músicas que não colocou durante o desenrolar da história, ao colocar Pois É (Los Hermanos) na cena final.
Se eu tivesse que escolher uma cena como a minha favorita, eu escolheria um momento antes da cena final, por um gesto que o Tom faz, quando "Ela" está de costas. Se você ainda não assistiu (ou vai assistir novamente), repare que quando "Ela" vira as costas para ir embora, ele estende a mão, como quem vai dizer algo, mas se cala, e olha para cima. Esse gesto representa tudo o que poderia ter acontecido, e não aconteceu.
E a pergunta que não calou desde que eu assisti o filme: O que tem dentro da caixinha? Sabemos que tem uma carta com cheirinho de Vanilla, mas ninguém se dá ao trabalho de colocar uma carta dentro de uma caixinha, sem ter nada que a acompanhe.

quarta-feira, 31 de março de 2010

It's alright, I never thought that I could feel this something
Rising, rising in my veins
Looks like it's happened again.

Era aquela maldita música, tocava de forma violenta, sem nenhuma piedade de mim, a ouvinte.
No primeiro momento o espanto, no segundo o encanto, e no terceiro, a tristeza, tudo isso em fração de segundos. Estranho como uma música podia fazer tantas coisas comigo. E essa, em especial, me matava.
Parecia acontecer de novo, toda a história, todos os erros, detalhes que eu sabia que seriam perigosos, e eu me lamentei, me lamentei por ter acordado naquele dia e descoberto essa música... Porque aquela música tão linda, depois de alguns meses se tornaria a trilha sonora dos meus pesadelos.
Fiquei pensando nas lembranças, em todas elas... Pensei que por mais que tentasse fugir de certas lembranças, eu as era em carne e osso. Eu sou todos os dias da minha vida, cada segundo, cada batimento do meu coração, e isso está em mim, na forma como falo, nos meus gestos, e até nas minhas sardas, que nada mais representam do que os dias mais ensolarados da minha infância.
Eu pego as lembranças, e guardo todas elas em uma caixinha, escondo, e sigo em frente, até tocar de novo, outra música, que me lembre quem eu sou, e o que já vivi, e talvez isso seja bom, apesar de serem detalhes perigosos, são detalhes de quem eu sou.

I was just talking with myself.

PS: "I see you, you see me" (The Magic Numbers), é realmente uma música impiedosa para/com a minha pessoa (e, é a música citada no post).
PS²: Quem nunca teve uma música que ao ser tocada, é capaz de gerar sensações incríveis (não só de tristeza, e de morte UHASUDH)?

terça-feira, 30 de março de 2010

Voooltei Brasil!

Ok, Ok, estou sem postar faz um século, mas hoje resolvi postar, para dizer que não desisti do blog, e que vou tentar postar sempre.
Ah, também decidi mudar muita coisa por aqui, não vou mais escrever essas baboseiras de antes e agora eu não escrevo só de laranja UAHSUDH
Durante esse tempo que fiquei sem postar, muita coisa aconteceu, eu mudei pra caramba, muita coisa mudou, e os nardoni foram presos etc etc UAHS
E enquanto não postava aqui, escrevia em qualquer pedaço de papel as coisas que eu pensava, foi pensando nisso que criei o
"I Was Just Talking With Myself", vou explicar o que é isso... O just talking with myself, é um caderno onde escrevo tudo o que penso, coisas que aconteceram, que eu espero que aconteçam, enfim, os delírios do patinho, e eu decidi compartilhar algumas coisas que escrevo nele com vocês ;)
Enfim, é só isso, e o meu muito obrigado, a todos aqueles que insistiram para que eu voltasse a postar.


Bjs Bjs

domingo, 26 de julho de 2009



Sobre medo.


Existem coisas que nunca entenderemos. O ser humano com certeza está no topo da lista dessas coisas. Desenvolvemos traços de personalidade que se eternizam em nós, sem ao menos sabermos porque. Medos, sentimentos, síndromes, manias e etc. Difícil saber de onde isso surge, um medo muda tudo. Há quem prefira ver um leopardo, a ver uma borboleta. Bom, cada um tem o seu medo, não vou mexer no medo dos outros. O medo é saudável dependendo da situação, pelo fato de poder superá-lo.


Medo de morrer.
Medo de perder alguém.
Medo do monstro que fica embaixo da cama.
Medo do fofão.
Ou ate mesmo da professora de matemática.

Cada um com o seu medo, tudo bem, já entendemos isso. Mas ate onde um medo pode te levar? Passar a vida inteira se privando de algo por ter medo, é como descobrir que às vezes vem um bichinho na manga, e então resolver nunca mais comer manga, mesmo sabendo que existem milhares e milhares de mangas deliciosas te esperando. O medo mora junto com a possibilidade, e é essa a graça da vida: as possibilidades. Talvez você morra amanhã, ou daqui a 30 anos. É imprevisível o dia em que você perderá as pessoas que você ama, portanto: o medo só te influencia a aproveitar cada segundo ao lado delas. O monstro que fica embaixo da cama não existe. Ta, do fofão eu não vou falar nada, porque eu tenho medo dele. E a professora de matemática, ah, um beijo pra Leila. Enfim, supere seus medos e siga em frente.
E ai, qual e o seu medo? :D




quarta-feira, 3 de junho de 2009

Há quanto tempo!

Se tem uma coisa que eu acho extremamente engraçada, é o tal do reencontro. É que a gente tá sempre indo e vindo, é muita pressa, muita gente, muitos números de telefone, e com a distância e tudo mais, tudo vai se perdendo com o tempo (óbvio). Mas a questão não é essa, a questão é que esse pensamento me lembrou uma reportagem que li no mês passado na sala de espera da dentista, o começo da reportagem era bem fraquinho, mas depois tocava num assunto interessante: Imagine a sensação de reencontrar alguém que fez parte da sua vida há 20 anos atrás, papo vai, papo vem, você diz: naquela época eu era apaixonado(a) por você, e o pior é a resposta: eu também era. Puts, ás vezes pensamos tanto em falar certas coisas e acabamos não falando, que a vida acaba se tornando apenas uma coleção de 'nãos' e todos os verbos ficam no passado: as palavras que não disse, o abraço que não dei, o segredo que não contei, e por aí vai...
Mas por outro lado, também não é uma boa escolha sair falando tudo aquilo que a mente produz (isso renderia várias encrencas)
. Uma coisa é certa: sempre deixaremos algo por falar, assim como nunca saberemos certas coisas. Mas arrisque-se agora, ou daqui há 20 anos, pode acabar ouvindo um simples: eu também...